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"Oi mãe, troquei de número": o golpe do falso filho no WhatsApp

Um número desconhecido manda mensagem no WhatsApp dizendo ser seu filho ou sua filha, com celular novo e um Pix urgente para pagar. Veja como confirmar em um minuto, o que fazer se já pagou e como denunciar.

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"Oi mãe, troquei de número": o golpe do falso filho no WhatsApp

"Oi mãe, esse é meu número novo, salva aí e apaga o outro." Ou "Oi pai, meu celular quebrou, tô falando de um emprestado". A mensagem chega pelo WhatsApp, de um número que não está na sua agenda, e pouco depois aparece a urgência: um boleto que vence hoje, um Pix que ele "não consegue fazer" porque o app do banco "ainda não está no celular novo". Se essa conversa está aberta agora, pare um instante: é o golpe do falso parente, um dos mais espalhados no Brasil, e ele se desmonta com uma única ligação para o número de sempre.

Como funciona o golpe?

O golpista não sabe quem você é. Ele dispara a mesma saudação genérica para milhares de números, muitas vezes usando a foto do seu filho tirada das redes sociais, e espera alguém responder. O roteiro quase não muda:

  1. A saudação vaga. "Oi mãe" ou "Oi pai", sem nome. Se você responde "É você, Lucas?", acabou de entregar o nome que faltava.
  2. A desculpa do número novo. Celular quebrado, roubado, caiu na água, "troquei de chip".
  3. A desculpa para não falar. "Não consigo ligar, o microfone tá com defeito", "tô em aula", "tô sem bateria". Ele não consegue imitar a voz do seu filho, então foge de qualquer ligação.
  4. Um pouco de conversa para ganhar confiança. Emojis, "tudo bem por aí?". Ainda não pede nada.
  5. A urgência financeira. Um boleto, um aluguel, uma compra que vai ser cancelada. Como ele "não acessa o banco", pede que você pague no lugar dele.
  6. A conta de outra pessoa. O Pix tem que ir para uma chave em nome de terceiros: "um amigo", "o dono da loja", "o contador". Se você paga, geralmente vem um segundo pedido.

Existe uma variante mais perigosa: a mensagem chega do número verdadeiro do seu filho, porque a conta de WhatsApp dele foi clonada, quase sempre depois de ele repassar o código de seis dígitos que o WhatsApp manda por SMS. O WhatsApp clonado está entre os golpes mais comuns listados pela Anatel. Mesmo assim, o protocolo abaixo funciona: uma ligação de voz desmascara o golpista.

Quais são os sinais de alerta?

Nenhum prova nada sozinho, mas dois ou mais juntos já bastam para tratar a conversa como golpe:

  • Número desconhecido, às vezes com a foto do seu filho copiada das redes.
  • Nenhuma menção ao nome, a apelidos da família ou a detalhes recentes que só ele saberia.
  • Recusa constante em ligar ou em mandar um áudio.
  • Pressa: "tem que ser hoje", "se não pagar agora eu perco".
  • Quem recebe o Pix não é o seu filho, e sim outra pessoa ou uma empresa.
  • Pedido de segredo: "não fala pro pai, ele vai ficar bravo".
  • Um jeito de escrever que não combina com o dele.

O que faço agora se recebi a mensagem?

  1. Não pague nem passe dados. Não diga nomes, não confirme nada e nunca repasse códigos recebidos por SMS.
  2. Ligue para o número de sempre do seu filho ou da sua filha, o que está salvo na agenda, e não para o número novo. Na grande maioria das vezes ele atende tranquilo e o golpe termina ali.
  3. Se ele não atender, confirme por outro caminho: cônjuge, irmão, colega de trabalho ou de república. Nenhum pagamento é tão urgente que não possa esperar dez minutos.
  4. Peça um áudio ou uma chamada de vídeo ao número novo. Um filho de verdade faz isso sem problema; o golpista vai inventar desculpas.
  5. Faça uma pergunta de controle que não dê para responder olhando as redes sociais: o nome do primeiro bicho de estimação, o que vocês comeram no último almoço de família.
  6. Guarde provas antes de bloquear: prints da conversa inteira, o número e a chave Pix ou os dados da conta que pediram.
  7. Denuncie e bloqueie no WhatsApp: abra a conversa, toque no nome ou no número e escolha "Denunciar". Assim o WhatsApp recebe as últimas mensagens e pode banir a conta.

E se eu já fiz o Pix?

Não se culpe: esse golpe é feito por profissionais justamente para driblar a prudência. Agora o que conta é a rapidez:

  1. Ligue imediatamente para o seu banco pelo número oficial (o do verso do cartão ou o do app). Diga que foi golpe e peça a abertura do MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Pix, que permite ao banco tentar bloquear e devolver o valor da conta do golpista. A devolução não é garantida e depende de haver saldo, por isso cada minuto conta.
  2. Não faça mais nenhum pagamento, mesmo que o "filho" insista que "só falta um pouquinho".
  3. Registre um boletim de ocorrência (B.O.) na Polícia Civil do seu estado, com os prints e o comprovante do Pix. Na maioria dos estados dá para registrar online, pela delegacia eletrônica. Casos com várias vítimas ou de alcance interestadual também podem ser comunicados à Polícia Federal pelo Comunica PF. O B.O. costuma ser pedido em qualquer contestação posterior ao banco.
  4. Se a sua própria conta de WhatsApp foi clonada porque você repassou um código, registre o número de novo no app, ative a verificação em duas etapas (Configurações Conta Confirmação em duas etapas) e avise seus contatos.

Se em algum momento houver ameaça ou uma emergência real, ligue para o 190 (Polícia Militar).

Como proteger a família para a próxima vez?

A melhor defesa é que pais e avós conheçam o roteiro antes de recebê-lo. Diga com estas palavras: "Se alguém dizendo ser eu escrever de outro número pedindo dinheiro, me liga no número de sempre antes de pagar qualquer coisa". Algumas medidas simples:

  • Combinem uma regra de família: ninguém pede dinheiro só por mensagem; todo pedido é confirmado com uma ligação.
  • Combinem uma palavra-senha para emergências de verdade.
  • Ativem a confirmação em duas etapas do WhatsApp no celular de todos e lembrem que o código de seis dígitos nunca se repassa a ninguém.
  • Restrinjam a foto de perfil para que só contatos a vejam.

Um app de identificação de chamadas e mensagens como o NoCall ajuda a ver se o número já foi denunciado por outros usuários, mas é a ligação para o número de sempre que realmente fecha a porta.

Perguntas frequentes

A mensagem diz "mãe" e eu não tenho filhos. Por que chegou para mim? Porque é enviada em massa para números aleatórios ou tirados de vazamentos de dados. Você não foi escolhido: só caiu na lista.

E se o meu filho trocou mesmo de número? Então ele não vai ter problema nenhum em ligar ou mandar um áudio. Uma troca de número de verdade nunca vem junto com urgência para pagar a um terceiro.

A mensagem veio do número de sempre do meu filho. Pode ser golpe? Sim, se a conta dele foi clonada. Ligue para ele por telefone, fora da conversa: se a conta foi roubada, ele não vai saber de nada.

Vale a pena denunciar se não perdi dinheiro? Sim. Denunciar no WhatsApp e avisar quem está à sua volta ajuda a frear a campanha. Denuncie também no diretório de números de spam.

Resumindo

Número novo, desculpa para não falar, urgência e conta de terceiro: esse é o roteiro completo. A resposta também é sempre a mesma: não pague, ligue para o número de sempre e confirme por outro caminho. Se já pagou, ligue para o banco, peça o MED e registre o B.O. E se recebeu a mensagem, denuncie no diretório de números de spam do NoCall: o seu alerta pode evitar que outra mãe ou outro pai pague.

E
Por Equipa NoCall
Editorial NoCall
6 min de leitura
#WhatsApp#oi mãe#número novo#falso parente#Pix#golpe do WhatsApp

Fontes e revisão

Revisto:

A numeração, as ferramentas das operadoras e os procedimentos de denúncia podem mudar. Confirme os passos sensíveis junto da autoridade oficial indicada no link.

Detalhes do artigo

Conteúdo editorial revisto pela NoCall com contexto prático para detetar chamadas e mensagens suspeitas.

Autor: Equipa NoCall6 min de leitura

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