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"Ganhou um prémio": o falso sorteio por chamada ou SMS que lhe pede para pagar

Recebe uma chamada ou um SMS: ganhou um sorteio, um telemóvel ou um cartão-oferta, e só falta pagar umas despesas ou dar o seu cartão para o receber. É uma burla. Explicamos como a reconhecer e o que fazer se já deu os seus dados.

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"Parabéns! Foi selecionado para receber um iPhone", "Ganhou um cartão-oferta de 500 euros", "O seu número foi premiado no nosso sorteio anual". A mensagem chega por SMS ou numa chamada, e traz sempre uma pequena condição: pagar uns portes de envio, uma taxa ou um imposto, ou dar os dados do seu cartão "para verificar a sua identidade". É uma das burlas mais antigas e continua a funcionar porque o valor pedido parece ridículo comparado com o que prometem. A regra que resolve tudo: um prémio verdadeiro nunca lhe custa dinheiro adiantado.

Como funciona a burla do prémio falso?

Tem várias versões, mas todas partilham o mesmo esqueleto: uma boa notícia inesperada, uma pequena condição e pressa.

  • SMS com link. Dizem-lhe que ganhou um telemóvel, um vale ou uma oferta de uma marca conhecida (uma cadeia de supermercados, a sua operadora, uma loja online). O link leva a um site que copia o design da marca, muitas vezes com um inquérito ou uma roleta em que "ganha sempre". No fim pedem 1 ou 2 euros de portes e os dados completos do cartão. Esse pequeno pagamento é a desculpa: o que querem é o seu cartão, e por vezes inscrevem-no numa subscrição mensal escondida nas letras pequenas.
  • Chamada sobre um suposto prémio. Uma voz simpática (ou uma gravação) dá-lhe os parabéns por um sorteio da sua operadora, de uma "lotaria internacional" ou de um concurso em que nunca participou. Para libertar o prémio pedem-lhe que pague adiantado taxas, impostos, despesas de notário ou de alfândega, por transferência, por pagamento instantâneo por telemóvel (como o Bizum em Espanha ou o MB WAY em Portugal) ou com cartões-oferta.
  • Dados do cartão e código. Na variante mais perigosa não pedem um pagamento: pedem que lhes dite o número do cartão "para lhe depositar o prémio" e, depois, o código que recebe por SMS. Esse código não serve para receber dinheiro: serve para autorizar um pagamento ou associar o seu cartão a outro telemóvel.

Se pagar a primeira taxa, quase sempre aparece uma segunda: "o prémio ficou retido na alfândega", "falta o seguro". A cadeia de pagamentos só termina quando deixa de pagar.

Porque parece credível?

Porque está desenhada para parecer. Usam logótipos e nomes de empresas reais, o site imita o aspeto delas, o SMS pode aparecer na mesma conversa que mensagens legítimas dessa marca e a chamada pode mostrar um número que parece local. Além disso, o valor é pequeno de propósito: ninguém pensa duas vezes por 1,95 euros. E a pressa ("só restam 3 prémios", "a oferta termina hoje") impede-o de parar para confirmar.

Quais são os sinais de alarme?

  1. Ganhou algo em que não participou. Ninguém ganha um sorteio em que não se inscreveu.
  2. Tem de pagar para receber. Portes, taxas, impostos ou "despesas de processamento": num prémio legítimo, nada disto se paga adiantado a quem o avisa. Em Espanha, o imposto sobre um prémio real é retido no pagamento ou declarado depois às Finanças, e o princípio é o mesmo na maioria dos países.
  3. Pedem os dados do cartão ou um código SMS. Ninguém precisa do código de segurança, da data de validade nem do código que o banco lhe envia para lhe dar dinheiro.
  4. Há pressa ou segredo. "Responda em 24 horas", "não conte a ninguém para não perder o prémio".
  5. O pagamento é estranho. Cartões-oferta, criptomoedas, pagamento instantâneo a um particular ou transferência para uma conta no estrangeiro.
  6. O link não é o domínio oficial. Endereços longos, com hífenes, números ou terminações estranhas em vez do site habitual da marca.

Basta um destes sinais para desligar ou fechar a mensagem.

O que faço se acabaram de me ligar ou escrever?

  1. Não toque no link nem responda ao SMS. Nem sequer para dizer que não tem interesse: responder confirma que o seu número está ativo.
  2. Se for uma chamada, desligue. Não precisa de ser educado nem de dar explicações. Não dê o seu nome completo, número de identificação, morada nem dados bancários.
  3. Confirme por si, se ficar com dúvidas. Procure você mesmo o telefone ou o site oficial da empresa que supostamente o premiou (não o que aparece na mensagem) e pergunte se esse sorteio existe.
  4. Faça uma captura de ecrã do SMS ou anote o número, a hora e o que lhe disseram. Será útil se tiver de apresentar queixa.
  5. Bloqueie o número e denuncie-o no diretório de números de spam para que outros o reconheçam.

E se já paguei ou dei os dados do cartão?

Aja depressa, sem vergonha: estes sites são feitos para enganar qualquer pessoa.

  1. Ligue já para o seu banco, para o número que aparece no verso do cartão ou na app oficial. Peça para cancelar o cartão e emitir um novo.
  2. Diga-lhe se deu algum código SMS: pode haver um pagamento já autorizado ou o seu cartão associado a um telemóvel alheio.
  3. Verifique os seus movimentos nas próximas semanas e ative as notificações de pagamentos. As cobranças fraudulentas ou as subscrições por vezes demoram a aparecer.
  4. Se pagou por pagamento instantâneo ou transferência, comunique-o ao banco o mais depressa possível; em alguns casos há opções de recuperação, que explicamos em como recuperar o dinheiro de uma burla telefónica.
  5. Se deu o seu documento de identificação ou outros dados pessoais, esteja atento a usurpações de identidade: pedidos de crédito ou novas linhas em seu nome.
  6. Não pague mais taxas, mesmo que lhe prometam que é a última para libertar o prémio.

Onde apresento queixa?

  • Polícia: em Espanha, a Policía Nacional (091) ou a Guardia Civil (062); noutros países, a polícia nacional ou local. Apresente queixa com as capturas, o número e os comprovativos de pagamento. É imprescindível se perdeu dinheiro.
  • Linha de ajuda em cibersegurança: em Espanha, o 017 do INCIBE é uma linha gratuita e confidencial que o orienta sobre o que fazer e como proteger as suas contas, e o site da OSI (o gabinete espanhol de segurança do internauta) publica alertas sobre campanhas ativas. Noutros países, contacte a agência nacional de cibersegurança.
  • 112: apenas em caso de emergência ou ameaça imediata.
  • O seu banco: sempre pelos canais oficiais.

Perguntas frequentes

E se participei mesmo num sorteio dessa marca? Confirme no site ou na app oficial da marca, entrando diretamente, se há vencedores publicados. Um sorteio legítimo pode pedir-lhe dados para enviar o prémio, mas não lhe vai cobrar taxas nem pedir o código de segurança do cartão.

Eram só 1,95 euros, devo preocupar-me? Sim: o problema não são os 1,95 euros, mas o facto de agora terem os dados completos do seu cartão. Cancele-o por precaução.

Ligaram-me da "Lotaria" a dizer que tenho um prémio. Os prémios da lotaria recebem-se apresentando o bilhete nos pontos de venda ou entidades autorizadas. Em Espanha é a lotaria do Estado, Loterías y Apuestas del Estado, e o mesmo vale para as lotarias nacionais de outros países. Ninguém lhe telefona para avisar nem para cobrar despesas.

Como podem saber o meu nome? Por fugas de dados ou bases de dados compradas. Saberem o seu nome não prova que o prémio seja real.

Em resumo

Se para receber um prémio tem de pagar alguma coisa ou dar o seu cartão, não é um prémio: é uma burla. Desligue, não toque no link, confirme pelo canal oficial e, se já deu dados, ligue ao banco e apresente queixa. O NoCall avisa-o quando um número já foi denunciado por outros utilizadores; e se recebeu uma destas mensagens, denuncie-a no diretório de números de spam para que a próxima pessoa a veja antes de cair.

E
Por Equipa NoCall
Editorial NoCall
6 min de leitura
#prémio falso#sorteio#cartão-oferta#smishing#vishing#portes de envio

Fontes e revisão

Revisto:

A numeração, as ferramentas das operadoras e os procedimentos de denúncia podem mudar. Confirme os passos sensíveis junto da autoridade oficial indicada no link.

Detalhes do artigo

Conteúdo editorial revisto pela NoCall com contexto prático para detetar chamadas e mensagens suspeitas.

Autor: Equipa NoCall6 min de leitura

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