AlertaGuias

As burlas telefónicas mais comuns em Portugal

Falso funcionário do banco, MB Way, falsa entrega e wangiri: conheça os esquemas mais frequentes e o que fazer se já pagou.

E
Por Equipa NoCall
Editorial NoCall
5 min de leitura
As burlas telefónicas mais comuns em Portugal
#burlas telefónicas#MB Way#vishing#smishing#wangiri#segurança

Do outro lado da linha parece tudo normal: uma voz simpática que diz ser do seu banco, um suposto funcionário que «precisa de validar uma transferência», ou alguém a anunciar um prémio que nem sabia que tinha ganho. As burlas telefónicas mais comuns em Portugal não dependem de tecnologia sofisticada: dependem da sua confiança. O burlão usa a voz para ganhar tempo e levá-lo a agir sem pensar. Conhecer os esquemas principais é a forma mais eficaz de se proteger.

Falso funcionário do banco

O esquema mais prejudicial em circulação. A pessoa liga, apresenta-se como funcionária da CGD, do Millennium BCP, do Santander Totta ou de outro banco, e diz que «houve uma movimentação suspeita» ou «uma compra precisa de ser cancelada».

Para «resolver», pede que leia um código de verificação que acabou de chegar por SMS, que faça uma transferência de teste por MB Way ou que instale uma aplicação para «proteger a conta». Em todas as variantes, o resultado é o mesmo: dinheiro a sair da sua conta ou acesso às suas credenciais.

O que fazer na hora: desligar e ligar você mesmo para o número oficial do banco, que está no verso do cartão ou no site da instituição. Nenhum banco português pede transferências de segurança, códigos de autenticação ou a instalação de aplicações de acesso remoto numa chamada que não solicitou. Se a pessoa do outro lado se recusa a deixá-lo desligar e ligar de volta, é burla, sem exceção.

Burla do MB Way e das transferências imediatas

Variante muito portuguesa do esquema anterior. O burlão menciona dados reais — nome, banco, às vezes até o valor de uma compra recente, obtidos em fugas de dados — e por isso parece alguém que «conhece mesmo a sua conta». Fala de um «bloqueio imediato» ou de uma «auditoria interna» e pede ações urgentes por MB Way.

O sinal mais claro é o pedido de qualquer uma destas três coisas: uma transferência, a leitura de um código SMS ou a instalação de uma aplicação que dá acesso remoto ao telemóvel. Se a chamada pede qualquer uma destas três, é burla, mesmo que a pessoa saiba o seu nome completo. Desligue e confirme pelo canal oficial do banco.

SMS falso de entrega de encomenda

Chega um SMS em nome dos CTT, da DHL ou da DPD a avisar de uma encomenda retida, com um link para pagar uma taxa de dois ou três euros. O site para onde o link aponta imita a transportadora, pede os dados do cartão e, a partir daí, os burlões fazem compras ou subscrições em seu nome.

A defesa é simples: nenhuma transportadora séria cobra taxas por links enviados por SMS. Se está à espera de uma encomenda, acompanhe o estado no site oficial da loja ou dos CTT, escrevendo o endereço diretamente no navegador, e nunca pague nada a partir de uma mensagem inesperada.

Wangiri: a chamada que desliga ao primeiro toque

O telemóvel toca uma vez e, quando vai ver, tem uma chamada não atendida de um número estrangeiro desconhecido. Se ligar de volta, é encaminhado para um número de valor acrescentado que cobra tarifas elevadas por minuto, revertendo parte do valor para os burlões.

A regra aqui é direta: não ligue de volta para números desconhecidos, sobretudo com indicativos estrangeiros que não reconhece, e bloqueie o número. Se for algo importante, a pessoa volta a ligar ou deixa mensagem.

Outros esquemas frequentes

Além dos esquemas principais, alguns argumentos continuam a circular:

  • Falso prémio: «ganhou» um sorteio em que não participou e precisa de pagar uma «taxa de levantamento» para receber.
  • Falso familiar com número novo: alguém diz ser o seu filho ou neto com um número novo e pede uma transferência de emergência por MB Way.
  • Falso técnico da operadora: diz ser da NOS, MEO ou Vodafone e pede para instalar uma aplicação ou dar códigos para «resolver um problema».
  • Falso agente de autoridade: apresenta-se como inspetor das finanças, agente policial ou funcionário de um organismo público e pede «colaboração» urgente.

Todos seguem o mesmo padrão: urgência, autoridade simulada e pagamento imediato.

O que fazer se já pagou

Se percebeu que caiu numa burla, aja depressa: cada minuto conta.

  1. Ligue imediatamente ao banco e peça o bloqueio do cartão e, se possível, a contestação das transferências. Em caso de fraude, contacte o banco pelo canal oficial: existem mecanismos de devolução que podem ser acionados em situações de burla.
  2. Apresente queixa na PSP ou na GNR, presencialmente ou através do portal de queixa eletrónica. Leve todas as provas: números, mensagens, comprovativos, capturas de ecrã.
  3. Altere as palavras-passe dos serviços mais sensíveis — banca online, e-mail, redes sociais — e ative a autenticação em dois passos onde for possível.
  4. Avise familiares e amigos, porque os burlões costumam tentar de novo o mesmo esquema com outros números da família.

Não sinta vergonha: as burlas telefónicas são montadas por profissionais e atingem pessoas de todas as idades e níveis de instrução. O que faz a diferença não é a inteligência, mas a rapidez de reação.

A regra de ouro

Se só puder lembrar-se de uma coisa, que seja esta: nenhuma instituição séria — banco, operadora, loja, organismo público — pede dinheiro, palavras-passe ou códigos numa chamada que não solicitou. Desligue, ligue você mesmo para o número oficial e só depois decida. Uma aplicação de bloqueio como o NoCall pode ajudar a filtrar chamadas e mensagens suspeitas antes de chegarem até si, mas a defesa mais sólida é o hábito de nunca confiar numa única voz ao telefone quando a conversa envolve dinheiro.

Fontes e revisão

Revisto:

A numeração, as ferramentas das operadoras e os procedimentos de denúncia podem mudar. Confirme os passos sensíveis junto da autoridade oficial indicada no link.

Detalhes do artigo

Conteúdo editorial revisto pela NoCall com contexto prático para detetar chamadas e mensagens suspeitas.

Autor: Equipa NoCall5 min de leitura

Recebeu uma chamada suspeita?

Pesquise o número na NoCall antes de partilhar dados, ligar de volta ou clicar em qualquer ligação.

Pesquise um número de telefone ou um nome de empresa (EDP, MEO e NOS...) para verificar se foi denunciado como spam.