Encomenda retida na alfândega: o falso pagamento de taxas por SMS ou chamada
Recebe um SMS, uma mensagem de WhatsApp ou uma chamada: a sua encomenda está retida na alfândega e tem de pagar alguns euros para a libertar. É quase sempre uma burla. Explicamos como funciona, como a distinguir de uma cobrança alfandegária real e o que fazer se já pagou.
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"O seu envio encontra-se retido na alfândega. Para o libertar, pague 2,99 € de taxas no prazo de 48 horas." Às vezes chega por SMS, às vezes por WhatsApp ou e-mail e, cada vez mais, sob a forma de chamada: uma voz gravada que lhe pede para carregar no 1 para falar com "o departamento de alfândega", ou uma pessoa que se apresenta como agente de uma transportadora. O valor é pequeno de propósito. O que procuram não são esses três euros, mas sim os dados completos do seu cartão, o código que o banco lhe envia para confirmar o pagamento ou, nas variantes mais elaboradas, transferências cada vez maiores.
Este guia centra-se no isco da alfândega e nas chamadas. Se o que recebeu foi o aviso genérico de "encomenda não entregue" em nome dos Correos (os correios espanhóis) ou de outra empresa, encontra mais detalhes em o SMS falso dos Correos e outras burlas de encomendas.
Como funciona a burla das taxas alfandegárias?
O guião repete-se com poucas variações:
- O aviso. Recebe uma mensagem ou uma chamada em nome dos correios, de uma empresa de transporte internacional ou da "Alfândega". Dizem-lhe que há uma encomenda em seu nome retida e que falta pagar IVA, direitos aduaneiros ou "despesas de desalfandegamento".
- A pressa. Há um prazo: 24 ou 48 horas, ou a encomenda "será devolvida ao remetente" ou "destruída".
- O pagamento. Mandam-no para um site que copia o aspeto da empresa ou, na chamada, pedem-lhe que dite os dados do cartão. Por vezes pedem Bizum (o sistema de pagamentos instantâneos entre telemóveis dos bancos espanhóis), uma transferência ou cartões-presente.
- O verdadeiro roubo. Com os dados do cartão fazem compras ou adicionam-no a uma carteira digital no telemóvel. Por isso, logo a seguir, costuma receber um SMS do banco com um código: esse código autoriza uma operação que não é de 2,99 €.
Existe uma variante mais longa, ligada às burlas românticas e aos falsos prémios: alguém que conheceu na internet "envia-lhe um presente" e, pouco depois, uma falsa empresa de entregas contacta-o a dizer que a encomenda está na alfândega e que é preciso pagar centenas ou milhares de euros em taxas, seguros ou "certificados". Essa encomenda não existe.
Porque é tão credível?
Porque as cobranças alfandegárias existem mesmo. Desde julho de 2021, todas as compras que chegam à União Europeia vindas de fora pagam IVA, seja qual for o valor, e algumas transportadoras cobram ainda uma taxa pelo desalfandegamento. Muita gente já pagou alguns euros para receber uma encomenda de fora da UE, por isso a mensagem falsa soa familiar. Fora da UE as regras variam, mas impostos de importação e taxas de processamento existem em quase todo o lado, e é por isso que a burla circula tão bem.
Além disso, o burlão não precisa de saber se está à espera de alguma coisa: envia a mesma mensagem a milhares de números e, com tantas compras online, acerta sempre em alguém.
Como distingo uma cobrança alfandegária real de uma falsa?
Repare nestes sinais:
- Comprou fora da UE? Uma encomenda enviada de Espanha, de Portugal ou de outro país da União não passa pela alfândega. Se a compra foi numa loja europeia, o aviso é falso. Fora da UE, a mesma lógica aplica-se às compras feitas no seu próprio país ou união aduaneira.
- O IVA já estava incluído? Muitas grandes plataformas de compras internacionais cobram o IVA no momento do pagamento. Verifique o comprovativo: se já o pagou, não deveria haver mais taxas de importação.
- Aparece o seu número de seguimento? Um aviso real menciona o código de seguimento do seu envio, o mesmo que a loja lhe deu. O falso fala apenas de "a sua encomenda".
- Pedem-lhe para pagar por um link, por telefone, por Bizum ou com cartões-presente? Nem a transportadora nem a Alfândega lhe vão pedir que dite o cartão numa chamada inesperada nem que pague com cartões-presente.
- O link é o domínio oficial? Domínios com palavras acrescentadas ("alfandega-envio", "correios-taxas", "libertar-encomenda") ou terminações estranhas são um sinal claro.
- A chamada começa com uma gravação? Um robô que lhe pede para carregar numa tecla para falar com a alfândega é um padrão típico destas campanhas.
- O valor não bate certo? Taxas reais dependem do valor do que comprou. Um número genérico sem relação com a sua encomenda é suspeito.
O remetente ou o número que aparece no ecrã não provam nada: números e nomes de remetente podem ser falsificados.
O que faço agora mesmo?
- Não carregue no link nem pague nada. Se for uma chamada, desligue. Não discuta nem dê dados "para confirmar".
- Procure a encomenda por si. Abra a app ou o e-mail da loja onde comprou e copie o número de seguimento.
- Confirme no canal oficial. Escreva o endereço do site da transportadora ou use a app oficial, e introduza o código de seguimento. Se houver de facto taxas pendentes, aparecerão aí, e poderá pagá-las por esse mesmo canal.
- Guarde uma captura de ecrã da mensagem ou anote o número que lhe ligou, a hora e o que lhe disseram.
- Bloqueie e denuncie o número. Reporte-o no diretório de números de spam para que outras pessoas o reconheçam. O NoCall também o avisa quando um número já foi marcado como suspeito por outros utilizadores.
E se já paguei ou dei os dados do cartão?
Aja depressa. A ordem importa:
- Ligue para o seu banco para o número oficial que aparece no verso do cartão ou na app, não para um que venha na mensagem. Peça para bloquear o cartão e emitir um novo.
- Se deu um código de confirmação, diga-o ao banco: provavelmente foi autorizada uma operação ou o seu cartão foi adicionado a uma carteira digital, e é preciso revogá-lo.
- Vigie os movimentos nos dias seguintes e ative as notificações da app do banco. Os débitos fraudulentos nem sempre surgem de imediato.
- Se pagou por Bizum ou transferência, peça ao banco que tente travar ou recuperar a operação o mais depressa possível.
- Apresente queixa. Em Espanha, à Policía Nacional (091) ou à Guardia Civil (062), com capturas, números e comprovativos; noutros países, à polícia nacional ou local. O banco vai pedir-lhe a queixa para contestar os débitos.
- Peça orientação. Em Espanha, ligue para o 017 do INCIBE, a linha gratuita e confidencial de apoio em cibersegurança, e consulte os guias da OSI (Gabinete de Segurança do Internauta espanhol); noutros países, contacte a agência nacional de cibersegurança ou a linha de apoio a vítimas de fraude.
Se se sentir em perigo ou estiver a ser ameaçado, ligue para o 112, o número de emergência em Espanha e em toda a UE. Para saber mais sobre como reaver o dinheiro, leia como recuperar o dinheiro de uma burla telefónica.
Perguntas frequentes
Estou à espera de uma encomenda de fora da UE. Como sei se as taxas são reais? Verifique o envio no site ou na app oficial da transportadora com o seu número de seguimento, escrevendo o endereço por si. Se houver taxas reais, aparecerão aí com o valor e a forma de pagamento. Nunca pague a partir do link ou da chamada que recebeu.
Ligaram-me e dei o nome e a morada, mas não o cartão. Há problema? Não há risco direto para o seu dinheiro, mas esses dados servem para tornar a próxima tentativa mais credível. Desconfie de qualquer contacto posterior que use essa informação e nunca dê dados bancários por telefone.
Uma pessoa que conheci na internet enviou-me um presente e agora a alfândega pede-me dinheiro. É normal? Não. É uma variante conhecida da burla romântica. Nenhuma alfândega pede transferências para contas pessoais nem "certificados" para libertar um presente. Corte o contacto, não envie dinheiro e apresente queixa.
Posso reclamar se o banco não me devolver o dinheiro? Sim. Apresente primeiro uma reclamação por escrito ao banco, anexando a queixa. Se não obtiver resposta satisfatória, em Espanha pode recorrer ao serviço de reclamações do Banco de España; noutros países, ao provedor ou regulador bancário (em Portugal, o Banco de Portugal).
Em resumo
Uma encomenda retida na alfândega que é preciso libertar com um pequeno pagamento urgente é um dos iscos mais repetidos. A defesa é simples: nunca pague a partir da mensagem ou da chamada, procure a encomenda por si e confirme-a no canal oficial. Se já deu o cartão, ligue para o banco e apresente queixa. E se recebeu uma destas mensagens, reporte-a no diretório de números de spam do NoCall: o seu aviso pode impedir que a próxima pessoa pague.
Fontes e revisão
Revisto:
A numeração, as ferramentas das operadoras e os procedimentos de denúncia podem mudar. Confirme os passos sensíveis junto da autoridade oficial indicada no link.
Detalhes do artigo
Conteúdo editorial revisto pela NoCall com contexto prático para detetar chamadas e mensagens suspeitas.
Recebeu uma chamada suspeita?
Pesquise o número na NoCall antes de partilhar dados, ligar de volta ou clicar em qualquer ligação.
Pesquise um número de telefone ou um nome de empresa (EDP, MEO e NOS...) para verificar se foi denunciado como spam.

